Amor de porta ao lado.


É nestas horas tardias que mais te sinto a falta. É nestas horas vazias que mais te quero. É nestas horas largas que mais me foges dos dedos. Sabes-me a veneno e, mesmo assim, sabes-me a pouco.  Levo o coração cheio de ti, mesmo que ter perca agora. Levo-te no coração, porque há emoções que resistem ao tempo, à distância, ao mundo inteiro. Tenho o coração cheio de ti, mesmo que me doa. Dói-me a incoerência minha e a teimosia tua. Acredito sozinha num nós à qual não dás lugar e até assim, gosto de ti. E gosto de ti pela habilidade de me fazeres bater o coração, gosto de ti mesmo sem entender bem o porquê.
É nestas horas vazias que mais divago, é nestas horas tardias que mais penso, é nestas horas largas que mais sofro. Sofro porque gostava de te ver conquistar o mundo e gostava de o conquistar contigo, se isso não implicasse ter de te conquistar primeiro. E gostava de descobrir a melhor forma de te chegar ao coração, de te roubar o olhar, de te abraçar a alma apenas com uma doce palavra.
Acredito que o amor se constrói, acredito em amores que não se perdem e que nunca morrem. Acredito que te posso dar o melhor amor do mundo, mesmo que mereças tanto mais que eu.

Quero que saibas que nunca te vou falhar, nunca te vou faltar e que nunca nada vai mudar. Quero que saibas que estas não são metade das palavras que mereces, mas são todas as que te posso dar agora, até porque na realidade, dava-te a alma inteira, se quisesses ficar com ela.

Aos amores vindos do nada, um beijo de boa noite*

não sei de mim.

estou de malas feitas. não levo nem roupa nem jóias. levo o coração, a alma e a saudade. o corpo fica: não é meu. emprestaram-mo faz vinte anos e está na hora de o devolver. mas o amor que tenho, que tive, que trago, esse deixem-mo. deixem-me esses amores que me fizeram tanto sorrir, esses amores que tanto me fizeram chorar. deixem-me a saudade de uma infância inocente e intocável, deixem-me a culpa de não ter feito nem mais nem melhor. não me roubem as memórias de cada beijo, de cada abraço, de cada palavra de carinho que me fez voar acima de todo e qualquer céu. não toquem em mim, que já não estou para ninguém. não me roubem aquilo que por certo sei que foi só meu.
a vida é tão curta - sempre me avisaram! e passa tão a voar. e eu não voei com ela: que estúpida fui! gostava de ter ido a sítios que não sei onde ficam, ter feito o que não julgava possível, ter conhecido quem nunca sequer vi. quem me dera ser Pessoa, para ter em mim todos os sonhos do mundo. mas não sou e não tenho. gostava de ter sido alguém que não sou, e que já não vou a tempo de ser.
não sei se me perdi no tempo, se o tempo se perdeu em mim, ou se alguém me escondeu o tempo. a verdade é que a vida não é o que se espera, não é o que ser quer nem o que se sonha. mas o tempo é muito, é tanto. e eu já gastei demasiado tempo a esta tão vasta e triste vida.
estou de malas feitas. não levo roupa nem jóias. vou eu, comigo e sem mim - porque já nem sei quem sou nem onde estou.

Da saudade gelada no peito.

é nestas noites em que tudo me abala, que mais te penso. que mais te sinto a falta. que menos te encontro o rasto. não sei de ti. gostava de dizer que não sei de nós, mas o facto de nunca ter havido um «nós», não o permite. não sei onde errei - mas é certo que o fiz, algures no curto espaço de tempo em que me foi permitido ter-te comigo. não tenho mais as tuas mãos entrelaçadas nas minhas, nem que apenas pelo mero frio que faz fora delas. e por falar em frio..este meu peito congelou. quer-te tanto mas sabe que não deve, que não pode, que não deixas. é assim tão errado querer-te? diz-me! é assim tão impossível ser tua, quereres que seja tua?
não sei de ti. talvez nunca soube. talvez nunca tenhas sido mais que os outros, mais que ilusão palpável de um desejo em bruto. talvez nunca tenhas sido mais que os outros, mesmo que saiba que és tão mais do que qualquer um.
e eu sei que serei tua. sempre. mesmo que não te importes, mesmo que não queiras.
e sei que este sentimento que por ti trago, será sempre teu.
porque és o melhor do mundo, porque és o melhor de mim.

gosto de ti. gosto mesmo.

Pode beijar a noiva!


casou. casou mesmo. aquele que um dia me disse que eu era o grande amor dele. aquele que ainda hoje, depois de todo o tempo, me diz que continuo a ser a mulher da vida dele. no entanto, ele casou. casou com uma moça que deve ser menos amiga da balança do que eu, mas casou. daqueles casamentos a sério, com vestido de noiva, boda e quarto de hotel. pela igreja! e eu sou o amor da vida dele. era, sou, serei - dizia ele.

eu gostei dele. gostei muito. éramos os melhores amigos, lembro-me disso! mas não dava para mais. não dava para eu me relacionar com ele como ele queria. e quando o deixei partir, tive medo. medo. hoje confesso ao mundo que fui egoísta. por uma vez na vida, naquele tempo, gostei que alguém gostasse de mim. gostei que ele gostasse de mim. queria a toda a força que assim continuasse a ser. e parece que consegui. ele hoje ainda me ama, mesmo que às noites esteja com outra. não era isto que lhe desejava. mas eu tinha medo. medo que em toda a minha vida, nunca mais ninguém me amasse como ele amou, como ele ama.

Cartas de amor ao ar.


doce,

deixa-me, antes de mais, salientar que tudo o que aqui direi será apenas a minha visão dos factos. Não pretendo, portanto, ofender ou ferir susceptibilidades.
Poderia começar por te dizer que – para mim - tudo começou há três anos atrás. Mas estou cansada de o repetir. Se não suscitou efeito, não será agora que irá interessar. Mas a verdade é mesmo essa; se não tivesses feito parte das minhas memórias de verão, naquele ano, hoje não sentiria o que sinto por ti – que, por muito que possas não acreditar, não é pouco. Mas fizeste, e depois desse, n’outros verões voltaste a estar presente e, em quase todos, com a mesma intensidade se sempre.
Não estranho o facto de te ser indiferente, visto que, ao contrário de mim, não trazes gravadas no coração todas as coisas ditas, as doçuras proferidas cada noite antes de dormir. Não censuro – cada um guarda o que quer e o que o marca. Não fui – e devo continuar a não ser – um marco importante. Repito: não censuro!
E eis que eu, perita em estragar tudo o que trago no peito, vou dizer o que nunca disse, ou pelo menos, o que nunca disse nestas palavras.
Não sei o que sou para ti e, chegando a esta situação, tenho muito medo de ouvir uma resposta. Eu gosto de ti, nada que já não soubesses. Que o interiorizes é outra coisa. Desde sempre gostei e inevitavelmente, gosto mais a cada dia. Vou gostando à medida que te conheço, à medida que te leio nas entrelinhas e te conheço os emaranhados. Porém, não sei como aproximar-me, não sei como conquistar-te, como tocar-te alma. Não sei o que te ocorre quando digo que gosto mesmo muito de ti, mas vou dar-te uma ajuda: para mim não és como os outros, não és alguém que se engate e se conquiste para elevar o meu ego, não és alguém que quero para “dar umas voltas”, como se diz em bom português. Para mim és diferente, és especial, és alguém que me enche o coração mesmo com todo o tempo que passa fora dele, és alguém que me faz querer ser feliz, porque me és prova de que se pode sorrir, és a prova de que há pessoas que valem a pena e tu és uma delas.
Seria, talvez, pouco sensato dizer que desde que te conheço que tento cair nas tuas graças, já para não dizer nos teus braços. Mas a verdade é essa. Não há uma altura em que me entres vida adentro que eu não me esqueça de tudo e de todos. Não há um único dia, desde que estás presente, que eu não sorria e não dê graças por te ter conhecido. Para mim és um pedaço essencial dos meus dias, és alguém que eu adorava ter diariamente comigo, és alguém de quem eu gostava de fazer parte, alguém a quem pudesse dar este mundo e o outro, a quem pudesse dar tudo de mim e quem sabe – esperar o mesmo.
E depois de tudo, sei que a estúpida sou eu, por pensar sequer que um dia, hás-de ver-me com os mesmos olhos que eu te vejo. Mas não posso parar de esperar, porque, quando se encontra alguém como tu, o mundo para.
Não quero que me interpretes mal e, acima de tudo, espero não te afastar com estas palavras. Quero, acima de tudo, ser-te amiga. Amiga a sério, daquelas com quem podes contar, daquelas a quem confias desabafos. Quero, mais do que isto, que sejas feliz. Feliz mesmo. E se algum dia, alguém te magoar, eu estarei a observar, para lhe partir os queixos num abrir e fechar de olhos.
Sê feliz, porque tu, mais do que tanta gente, mereces mesmo.
Um beijinho, desta sempre tua,
Marii*

Burra. Asna!

Burra. Burra. BURRA. Era desta - parecia-me a mim. Tinha tudo para ser desta! Depois de já duas tentativas, fracassadas não se sabe porquê, eis que a terceira parecia começar a dar frutos. Mas deu onde frutos? Na minha cabeça e no caralho. É.
Talvez a culpa seja das redes sociais - acho que devem ser o devil da era moderna - que me abririam os olhos para aquilo que pode ser um jogo duplo. Ou triplo. Ou até ao infinito e mais além, olé!
E a maristúpida passou a noite gelada de olhos esbugalhados, a chorar e a perguntar «porquê». Porquê? Porque és burra! Não sabes já que não se confia nas pessoas, nem que te ofereçam este mundo e o outro? Burra!

Amores eternos.


Tenho dado por mim a amar-te - ainda. O que me surpreende, visto que o passado que vivemos já nos escorreu pelas mãos há muito. Mas tenho-te amado, sim. Nem sempre à mesma hora, mas um pouquinho todos os dias. Tenho assistido, enroscada na almofada, às memórias que guardo. Ainda sinto nelas o teu cheiro, ainda sinto nos ombros o peso da tua sweat que eu tanto gostava de usar. Ainda ouço, se bem que agora apenas em leve sussurro, a tua voz cantante que eu sempre tanto admirei. Tenho dado por mim a amar-te porque, estou quase certa, amar-te-ei sempre. Amar-te-ei não só pela forma como tudo começou, como tudo se deu mas, essencialmente, pela grandiosidade que possuis em ti. Tenho dado por mim a amar-te mesmo tendo-me apaixonado de novo. Tenho-te amado e tenho tido saudades tuas. Muitas até. Mais do que as saudáveis e desejáveis. Lembro-me de ter demorado quase uma eternidade a dizer-te que te amava. Se fosse hoje não o teria feito como fiz, nem teria demorado tanto. Mas hoje é hoje, e não o passado. Mas hoje, se mo permitisses, dir-te-ia que te amo, como sempre amei, e como sempre hei-de amar. Talvez até mais, mas quem sabe, seja efeito da saudade.
Devo-te muito, entre o qual mais um pedido de desculpas pelo modo como permiti que tudo acabasse. Não era minha intenção, nunca o foi. Porque eu amava-te. E nunca ninguém disse que quem ama não erra, pois não?

Porque quando te disse que te amaria para sempre, fui sincera. 

Corações d'areia.



O erro é meu. Sempre foi e sempre há-de ser. E o erro já não é ser (sobre)dotada de sentimentalismos agudos ou sinceros; o erro já nem sequer consiste no facto de não ser capaz de não-sentir. O erro é acreditar. Acreditar que tu e todos aqueles que possuam um bom coração sejam capazes de o usar. Acreditar que possa ser eu a ensinar-te a usá-lo.
Naquele início com que nos demos a conhecer, nunca pensei conseguisses passar de mais um rosto entre tantos que já amontoei na areia. Mais um daqueles que vão e nunca mais voltam. Não te queria na fictícia colecção de conquistas, muito menos na lista dos corações partidos. Pensei tirar proveito. Pensei que pudesse contigo, tentar o que há muito me ia na alma de fazer. Ser o que não sou. Mas errei. Erro sempre. Deixei-me ir na onda que te trouxe naquele dia solaregno e esqueci-me de me atirar ao mar.
E agora vou tarde. Vou, porque já te descobri por dentro. Já me iluminas os dias como nunca ninguém fizera outrora. Já me fascinas com o teu íntimo. Conheci alguém que não  pensei que no mundo, e muito menos em ti, pudesse existir. E aqui estou eu agora, deitada na areia de uma praia deserta onde ninguém virá ao meu encontro. E sabes porquê? Porque remas contra a minha maré, e eu sei-o tão bem. E o erro, como digo, é acreditar que deixes o coração ser o que é. Mesmo que não seja o que sempre estiveste habituado a ser. E eu continuarei aqui, fingindo estar neste mar só por entretenimento, enquanto que (me) deito areia para os olhos. É. 

E como se diz a alguém que não quer saber, que tem o melhor coração do mundo?

Plágio, sai daqui!

Estou incrédula! O Plágio chegou a atingir o Coração com Cadastro.
O meu post I feel like i'm waiting for something that isn't going happen está plagiado no love S2, nos Pontos de Visa da Rita, e  na Menina Moleca Mulher.
O mesmo acontece com o post I give up. Can I? que foi plagiado no love S2 -  que é minha grande fã, tal como a Menina Moleca Mulher que também plagiou este texto-  no Listen to you heart (ela bem dá a dica quando diz your e não mine, eu é que não quis querer), no Acordei Meio Malvada - tanto ao ponto de andar a roubar o que não te diz respeito e de me intitular como "Autor Desconhecido"-  e nos Pontos de Vista da Rita que eu não consigo ler, mas o google afirma que ela é minha plagiadora!
O post Deixa-a ir não deve estar grande espingarda, porque só o encontrei na Menina Moleca Mulher
Este meu outro post pelos vistos são lembranças do Fael Neto, um Poeta Sem Causa. Poderás ser sem causa, mas não és sem culpa.
O I'm lost. I'm loosing everything pode ser encontrado no Silencio das Trevas (pois, vi logo) e  no Caso Arquivado - eu aviso que não está nada arquivado, não esperes pela demora.
Aquilo que é O que me calhou  pelos vistos calhou também à Rita dos Sentimentos e Desabafos,  e a não sei quem fora da blogosfera.
Eu Estendo passadeira vermelha se não te demorares, mas o François Fr ajuda porque deve ter medo que o tapete seja pesado.
E quando digo P.S. Esqueci-te, quem decida esquecer que plágio é crime e decide copiar o texto utilizando como titulo o quê? O nome do meu blog, ora pois claro!

Mas o mais escandaloso é o caso da Menina Moleque Mulher - que mais do que Moleque é Mula - que é a minha maior fã sem dúvida, visto que, como aqui podemos ver, plagia-me o seguinte :
Batimentos Cardíacos  - Onde manteve o título e nem se dignou a mudar alguns nomes.
Características Efémeras - Onde segundo o que se lê, ela é uma fotocópia minha, mas chamando-se Tatiana. Ora muito prazer.
Este post - Ena pá, que sensações tão idênticas que temos.
Este outro post - Não posso! Também sentes?
She's still waiting you -  És uma pobre de espírito, e escassa de palavras. Pronto.
É. São coisas. - Pelos vistos também são coisas dela.
O deixa-a ir, como já foi referido acima.

Queridos plagiadores, é favor apagarem tudo o que seja de minha autoria e se faz favor, arranjem uma vida e emoções próprias, pois por muito que eu tenha muitas, são minhas e não são para andar no corações fingidos de gente como vós. É tudo.

Sejam bons samaritanos :)

Meus amores :')
Venho aqui pedir um grande favor que não demora mais do que um minuto :
Vão a esta página https://www.facebook.com/tshirts.dezpeme e metem gosto, e de seguida vão a esta página  https://www.facebook.com/photo.php?fbid=279546882057538&set=a.279544328724460.78389.148868691792025&type=1&theater e gostam da minha foto. Pode ser ? *.*
Muito obrigada. Beijinhos, muitos e lindos, como vocês :)

Insólitos.

Isto é coisa que eu não faço - prestar homenagem. Por muito que a memória magoe e sinta a dor saliente na pele, não é hábito meu. Hoje, porém, passados todos estes anos daquele dia em que pensei fosse tudo por minha causa, tenho de falar. Escusado será dizer que foi há 10 anos. Está bem gravado na memória de quem assistiu, de quem perdeu, e mesmo de quem sentiu. Eu não sei bem a qual pertenço. Sei apenas, que duas luas antes, um sonho terrível me fez acordar atordoada. Dois altos edifícios caiam, assim, no meu sonho, do nada. Dois dias depois a desgraça dá-se. A imagem tão nítida de um avião a embater numa torre. A explosão sucessiva da mesma. As ruas gritavam aflitas, o ar continha desespero. Os olhos das gentes não conseguiam ocultar o medo, o terror, a pena de quem estava apenas de passagem, mesmo de quem nada perdeu. Um segundo embate, uma outra explosão. O medo triplicou-se, o desespero dominava. Centenas de corpos caindo do céu. Milhares de vidas perdidas, sem motivo, sem culpados. O desmoronamento de um símbolo, de um lar, de milhares de vidas.  
Como se explica a uma criança de 9 anos que não passou de um sonho, de uma triste coincidência?  Mas acima de tudo, como se explica tamanha tragédia a quem perdeu? Do que adianta lamentar e oferecer os nossos pêsames? A memória e a saudade de um pai, de uma mãe, de um marido ou de uma esposa, de um filho e de uma filha, de um amigo não se apaga com o tempo, e não se atenua com "lamento's".

Guess who's back (?)

Achava eu na minha pura ingenuidade que à medida que se amadurece, as dúvidas e os medos se perdiam pelo caminho. Assim, como roupa despida ao longo de um corredor a caminho de uma cama. Achava. Mas aqui não há roupa e muito menos há cama. Existe apenas um longo e largo corredor, o da morgue onde venho de volta e meia deixar o coração. E ele fica, é bem mandado.
Quantas vezes este pobre já morreu, e quantas vezes o desgraçado há-de morrer ainda. Mas que é feito da minha capacidade de me saber atirar de cabeça, sem pensamentos paralelos e mesmo assim conseguir ser feliz? Digam-me, o que é feito? Devia pôr um panfleto, daqueles bonitinhos com fotografia a dizer "procura-se". Duvido contudo que adiantasse. Olhos, coração, mente, tudo me atraiçoa. Os olhos, porque não me permitem ver-me onde quero ir; o coração porque se afeiçoou de novo, e sem meu consentimento, mais uma vez; a mente porque gosta de me intimidar com imagens de um passado do qual não me consigo despegar. E assim, sendo três contra um, agarro-me à única coisa que me pode ajudar: o Tempo. E mesmo esse, alia-se a mim por pouco tempo. Não tenho tempo nem paciência. Apenas medo e tantas decisões por tomar.

" quem mais te dá na vida é a própria vida; podes ler, ouvir dizer mas tem coisas que só ela ensina "

Over and over.


Sou mais feliz na ilusão do para sempre, do que na dura realidade de ser apenas mais uma.
Mais uma. Resumem-me sempre a isto.


Não sou de cá, nem sou de lá .

Talvez me tenha perdido. Talvez até não seja de agora. Perdi-me lá atrás, faz tempo, naquele fim de verão. Perdi-me naquela noite, em que passei a fronteira e por muito que tentasse - oh, se tentei - deixei de avistar a bandeira da minha pátria. Perdi-me quando os dentes começaram a ranger; quando a boca começou a soar menos; quando as altas montanhas, com picos de neve, deixaram de aparecer no meu feliz campo de visão. Perdi-me quando comecei a pertencer a multidões; quando a saudade, ansiosa por ser morta, me transformou em besta sem espelhos. Perdi-me, e por me perder, perdi. Perdi pessoas, oportunidades, perdi sonhos e inclusive perdi o sono. Perdi tanto mais do que tudo o que já ganhara. Perdi o ar puro, perdi a genuinidade. Deixei de saber o que era sorrir, desaprendi a ser eu. Ganhei um vazio de alma do tamanho de sete Terras, ganhei saudade e um coração amargurado. Descobri o arrependimento, e então teria sido bom descobrir uma forma de voltar - mas não havia, assim como continua a não haver.
Agora, não sou de cá nem sou de lá. Agora já sou menos que um clandestino sem identificação. Agora, sou apenas um peso para quem com bom coração me tem, sou apenas um ser qualquer que vagueia e que estorva.
Hoje sei que o meu lugar era lá. Hoje, tenho mais certeza de que nunca hei-de conseguir pertencer aqui.


Privei-me para o resto da vida da felicidade, e tudo de forma tão inconsciente .

I feel like i'm waiting for something that isn't going happen.


Eu bem sei que sou dona de muitos amores. Há quem o seja do próprio nariz - são escolhas. Mas não desvalorizem quando digo que gosto, não desvalorizem só porque optei por sonhar com o coração.
Hoje em dia não sou mais a dos tempos longínquos, tal é tão certo como me chamar Marilena - e para quem ainda estava na dúvida, sim, é o meu nome.
Tantas vezes dei amor de mão beijada, tantas ou mais o dei a quem procurava e não a quem eu queria. Mas tempos assim já vão lá bem longe. Hoje, continuo dona de muitos amores. Dona dos que tive e dos que virão. Mas acima de tudo, sou dona de mim. Faço escolhas.
Hoje escolho eu a quem dou tudo de mim. Escolho eu, mesmo podendo ser um erro, mesmo podendo correr mal.
E inconscientemente quero-te a ti. Quero-te a ti que és capaz de me fazer sorrir com toda a distância que nos separa;  a ti que me tiras noites de sono pela ausência com que te fazes sentir; a ti que me fazes desde sempre sentir especial; a ti que me envolves em cada palavra; a ti a quem devo desculpas; a ti que me levas a sonhar tão alto mesmo quando sei - ou sinto - que jamais terei a minha oportunidade.
Quero-te, não por necessidade de ter alguém, não porque meti algo na cabeça e quero concretizá-lo, quero-te, sim, pelo que me fazes sentir e pelo que me fazes ser. Quero-te pela fantástica pessoa que és, pelo fantástico que fazes, e pela sensatez que dizes. Quero-te por seres tu, por seres assim.

Queria, se queria! Mas um abraço, um olhar, já era tão bom - tenho dito!

I give up. Can I ?



Inúmeras vezes me dei como fraca. Inúmeras vezes desisti de mim. Mas abrindo os olhos apercebi-me de que posso ser muito, mas não fraca! Se o fosse saberia desistir. Desistir? O que é isso? Tal palavra não deve de certo constar no meu dicionário. Se constasse, saberia desistir. Desistir? Mas como se faz? De certo não me programaram para tal, com certeza não mo ensinaram nem cedo nem tarde. Desistir é algo que não faz parte de mim, não consta nas minhas atitudes nem sequer nos meus pensamentos. E será isto um erro, perseguir o que se quer, lutar pela felicidade que se idealiza? Não espezinho nenhum outro ser para chegar ao meu destino, contudo, tropeço tantas vezes quantas as que caminho. Tropeço sempre que erro, tropeço sempre que sinto, sempre que penso. E no fim de tudo, o grande erro não é pensar, nem não saber desistir. Não! O grande erro é sempre o mesmo: sentir e amar. Já se tornou um clássico. Já é prato do dia. E eu ainda não me habituei. Quero desistir de amar? Posso?

E no fim, desisto, porque tu já desististe de mim.

Se as coisas fossem a meu gosto, eu seria tua e tu perderias esse medo de seres meu*

Deixa-a ir.

Eu cá gostava de pessoas. Hoje fartei-me. São todas iguais, todas agem, fazem e dizem o mesmo. Talvez tenha perdido o interesse, talvez tenha finalmente entendido que não há pessoas diferentes, que não há pessoas como eu. Não sei o porquê de só agora ter conseguido enroscar tal ideia na minha cabeça, visto que há muito que as pessoas e as suas enormes complexidades deixaram de ser novidade para mim. Há muito que as conheço de apenas as olhar. Existem sempre excepções, é verdade, mas isso infelizmente não faz delas diferentes, apenas diferentes daquilo que eu pensava. Oxalá fossemos todos como cães vadios. Vagueando pelas estradas da vida, raramente nos cruzando com os mesmos. As pessoas cansaram-me, destruíram-me. (Já) Não gosto de as amar. Cansa muito o coração, torna-o velho mais cedo e enfraquece-o. O amor mente, o amor trai. Foge sem que te apercebas, e feita(o) tonta(o) lá vais tu procurá-lo algures. Seja debaixo da cama, entre as almofadas do belo sofá que tens na sala, quem sabe até mesmo no microondas. Acreditas nas tuas buscas, mas a verdade é que jamais voltará. Foi comprar tabaco e não volta. Talvez, ainda fume um cigarro em memória de ti, como forma de celebrar o alívio de te ter deixado. Ter-te deixado depois de tantas palavras cheias de nada, de beijos sujos, de abraços forçados e de noites em que tu realmente pouco ou nada importavas. E tu, pobre e coitada(o), acreditaste em tudo, iludida(o) de que realmente fosse possível. E bem, não é, nem nunca será. O amor é uma ilusão da alma. Sim da alma, porque ela também sonha. Portanto, livra-te dela! Fá-la rebolar em gasóleo, deita-lhe fogo e observa a tua prisão abrindo-te as grades. Despede-te dela e dos sentimentos que sempre te arruinaram a vida. Despede-te e abre os braços à liberdade.
Agora és tu, sem nada que te faça sentir, sofrer, chorar. Nada que te torne vulnerável e instável. Nada que te torne em algo que não queres ser. Agora, és livre.
É. Um dia vai ser assim. Tu também irás arder.

É. São coisas.



Tentaste vezes sem conta caminhar comigo. Quiseste inúmeras vezes estar a meu lado. E eu com aquele estúpido medo, adiava inconscientemente a tua vinda. Sorria, e sorrio ainda ao relembrar, as palavras que me embalavam na noite de lua cheia, nos dias de trovoada. Lembro-me de quando, na tua doce timidez, primeiro me rejeitavas as chamadas e depois, me ligavas cantando baladas. Já se passaram primaveras e parece ter sido ontem. Lembro da suavidade das tuas palavras, das noites que em pensamento passaste comigo. Recordo tão bem a quantidade de vezes, que lendo e ouvindo as tuas palavras, aquelas belas que me aconchegavam tanto, as mesmas que me faziam fugir de medo, medo de te querer, flutuava silenciosamente, tentando ser discreta no meu pequeno mundo. No entanto, hoje não sei o que é feito desse "ti". Não sei se o perdeste, se sem que desse por ela se camuflou ou se lhe perdi o rasto. Agora que te quero, da forma que sempre desejei não querer ninguém, tu foges, ausentas-te. Agora, que realmente ganhei coragem, tu já não estás. Provavelmente já nem a tempo vou de te dizer "não desistas de mim!". Provavelmente, perdi-te.
É. São coisas.
Hoje fiz o que tantas vezes faço. Remexi em memórias. Abri o baú dela e (re)li a descrição que em tempos não muito distantes lhe pedira que fizesse de mim. E eu era isto.

"És muito ingénua. Muito emocionalmente pura. Muito insegura. Muito nos emaranhados. És ainda muito tenra. Mas vais amadurecendo e isso é agradável de ver. Fantasias muito. Mas não ambicionas. Não te dás o devido valor. Das-te muito mas não te educas. Então esfolas muito os joelhos e os outros não se culpam de te esmurrar um bocadinho mais, mas isso vais ter de aprender. À medida que cresceres aprendes a fazer do teu coração ponto forte e não fraquezas, a mostrar que podes até estar papas mas sempre de colher em pé."

Hoje não sei como me vê, não sei o que pensa que sou. Não acompanhou as mudanças de perto, mas esteve sempre presente nelas. Não me obrigou a mudar mas foi graças a ela que o fiz. Sempre que me esmurrava, esfolava e até matava era nestas suas palavras que pensava. Foram estas palavras, esta descrição de quem no fundo tão bem me conhece que me ergueu em dias de chuva e me deu força para ser quem sou hoje. Foi ela, com todo o seu jeito de ser e de me ser, que conquistei o orgulho de ser quem sou.
E tenho orgulho em ti, em nós. E que tamanhas tempestades passamos. Mas ainda aqui estamos, sólidas e fortes, duras e rijas. E és-me um pedaço maior do que aquele que te sou a ti. És tanto, e agradeço por isso, minha Pê *

She still waiting you *


Marcada pelas memórias do tempo, tatuada com óleo a ferver. Ligada aos mundos que tive e aos príncipes que comigo reinaram. De corpo e alma rendida aos amores do passado: a todos mas a um em especial. Rendida a ti que nem nunca chegaste a ser príncipe sequer, que nunca foste mais do que se não uma ilusão, um desejo inconcretizável, um fascínio divino inexplicável. Por ti largava tudo, sempre disse. Os motivos desconheço-os ainda. E sempre assim será. Algo em ti desde o início me surpreende, me abre a alma, os olhos e o coração. Uma simples palavra tua e a noite mais escura se torna dia radiante, a chuva mais pesada se torna leve algodão flutuante. Há muito que tento explicar esta admiração, este sentimento que não reconheço de lado algum mas as palavras são escassas. Volta e meia dou por mim pensando em ti e sorrindo, imaginando o dia em que finalmente te abrirei a porta de casa e te olharei entrando por ali a dentro. Então, sorrio discretamente como se fosse segredo. Segredo o que sinto e por quem sinto. Sempre assim foi. Sempre fui feliz de só pensar em ti. Será sempre assim, penso eu.
No fundo os anos passam e tu continuas a ser quem mais anseio, quem mais desejo, quem mais amo.

Lamento a falta de qualidade deste post, mas precisava de libertas alguns pensamentos soltos.