Mostrar mensagens com a etiqueta Melhor Amiga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Melhor Amiga. Mostrar todas as mensagens
Estou espantada comigo mesma, espantada com o meu ser e com a minha (nova) personalidade. Eu que desde sempre fui tão melo-dramática e exageradamente choramingas, estou numa de frieza e indiferença perante a situação que nesta altura me deveria ter deixado de rastos. Era de esperar que após o fim de algo que me era tão chegado ao coração - e de o ter visto com outra após apenas duas semanas - eu estivesse deprimida e a chorar em cada esquina da casa onde moro e nem é minha. Contudo não é isto que se passa. Estou completamente indiferente à situação. E nem me questiono o porquê, porque sinceramente pouco me importa. Consegui finalmente fazer o que tantas vezes a minha Pê teimou em ensinar-me: fazer do coração ponte forte, e não fraquezas. Ora, aqui estou eu, íntegra e completa, calma e muito sinceramente, contente.
Estou aqui, e depois de tudo o que seria de esperar , no meu pensamento estão apenas eles e elas, aqueles que importam, aqueles que fazem de mim forte e não fraca, aqueles que me erguem a seguir a cada batalha, aqueles que curam o meu coração com distracções, abraços e sorrisos - montes deles. Aqueles que estão presentes sempre, mesmo quando não podem, aqueles que ouvem mesmo quando o assunto já cansa, aqueles que me abrem os olhos quando algo fiz mal, aqueles que me abraçam sem ser necessário motivo. No meu pensamento estão apenas estes, os que valem a pena.

Tardes assim.

São dias assim que recordava. Era de dias assim - ou momentos - que tinha já me enchido de saudade. Dias em que se ri e se chora de tanto se rir. Ri-se sem motivo. Da desgraça dos outros. Ri-se porque um saco fura e porque outro tem um caso. Ri-se porque se sonha com algo que não faz sentido mas nos envolve. Ri-se porque as frases que saem boca fora não pedem licença e entram a matar. Sim, a matar. Matam a tonta sensatez com que por norma se fala. Eram de momentos assim que esperava regresso. Momentos em que se fala sem nunca cansar, seja do mesmo ou do novo. Conspira-se a vida dos outros, eleva-se o nosso mesmo ego, espreita-se o futuro e enxotam-se os que não nos percebem nem nos querem. Relembra-se um passado, partilha-se o mesmo por não ter sido vivido em conjunto. Sorri-se, comem-se gargalhadas por entre chá, madalenas e pãozinhos que sabem a chocolate mas que nem sequer o têm. Eram tardes assim, na tua casa ou na minha Na da tia também dava. O importante é que sejas tu e eu. O importante, é que ainda sejamos nós, passado tudo e passado todos.
Afinal de contas, não foi sempre isso que apenas importou?