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Desisti. De tudo, talvez de nada. Desisti daquilo pela qual esperei todo o tempo, perdi a ultima oportunidade de ir onde quero, onde devo, onde sempre quis. Não pelos motivos de que mais me orgulhe, é certo, mas foi assim, senti que teve de ser. Para quem não entende, anulei a segunda fase. anulei por me ter afeiçoado a pessoas que mal conheço, pessoas que não tarda se irºão revelar uma merda, uma nulidade, e eu cá estarei - para mais uma vez na vida - me limitar a sofrer, a arrepender de tomar decisões sem fundo de contextualização. Sempre fui assim, quem conhece sabe, mas isto, passou dos limites. Sei - sinto, antes de mais nada - que não foi a decisão correcta, não pelas pessoas, mas não o foi por mim. Deixei tudo, desisti, por causa desta gente, esta gente que cá tem esrado, no bem e no mal, há apenas duas semanas.
Desisti, como cobarde que sempre fui.
Desisti, por motivos que nunca me hei-de bem saber explicar.

Espero que todos os que se candidataram a segunda fase, possam ter entrado e conseguido o seu sonho *

Apressa-te ó Homem.



É uma obsessão compulsiva aquela de te querer, de te procurar. Incessantemente te escrevo e te chamo. Nada sei de ti, e contudo sinto que te conheço desde sempre. Nunca te olhei sequer atentamente, mesmo outrora ter sonhado que fosses de determinada maneira. Hoje isso não importa. Teimas em demorar, não sei se por criar ansiedade e desespero, se simplesmente porque ainda não sabes de mim. Talvez como nem eu sei de ti, mas sei que hás-de vir. Enquanto espero, entretenho-me. Preparo chá e biscoitos.  Acomodo-os naquela mesa de madeira. Aquela que tu hás-de gostar. Sento-me no sofá, de perna sobreposta. Vou dando trincas suaves nos bolinhos que preparei. Trincas pequenas, pois preparei poucos e quero sobrem para a tua chegada. Acompanho bebendo curtos goles de chá.
Outro dia esteve sol, brilhante e quente. Ontem tudo murchou. Espera ! Não foi ontem! Já faz tempo. Afinal espero-te há já tanto. O chá arrefeceu, as bolachas que te guardei - feitas com amor e carinho naquele dia em que decidi esperar-te - endureceram. Emagreci de alma de tanta fome de amor que tenho passado. Que é de ti meu Homem ? Que é de teu ser ? Tenho dito, espero só até ás primeiras gotas de chuva de inverno. Apressa-te, ou hás-de perder o brilho no (meu) olhar.

Heart memories's box.

Como ele acelera. Bate, bate e não para. Roda e se torce, e se preciso se cose. Pula e chora. Tem sentido duplo das coisas. Cuida dele. É robusto. Faz de tudo para cuidar de mim, mesmo quando eu sempre cuidei tão pouco dele. Usei-o com qualquer indivíduo, dei-o de boa fé a tantos seres, fi-lo sofrer, rasguei-o. Cheguei mesmo a matá-lo. E ele está lá. Danificado, mas ainda bate. Fá-lo por mim. Por mim ele bate e tenta recompor-se. Fá-lo, porque tal como eu te espera, vos sente. Te espera, ó tu do futuro. Vos sente, ó vós do passado. Ele, que mesmo quando de cerebelo eu já não funcionar bem, há-de despontar em mim o vício. Há-de desencadear as recordações de sempre. Poderei já não vê-las. Os olhos estarão gastos e podres, cansados da rotina que me desgastou. Mas com ele, hei-de senti-las. Às emoções e às memórias. Elas que desde sempre me possuíram e moldaram. No bem e no mal. Tanto me são, que sei, que mesmo após  a perda de qualquer sentido, com ele hei-de sentir. Com ele, meu coração.

Deus criou Adão, Eva e os anões.

Palavras. Se fosses do tamanho da doçura que nela proferias, não te chegaria a ver os joelhos sequer. Não poderia ter-te olhado tantas vezes nos olhos e sentido todo aquele aquecer do coração. Não podia sentar-me ao teu colo, para ser mais fácil beijar-te, teria antes de me agarrar ao teu nariz, e balançar de cabeça para baixo, para que toda eu chegasse aos teus lábios. Não podia ter-me acomodado no veneno que era a doçura do teu abraço, nem uma só vez. Não te poderias ter escondido de mim, como tantas vezes fizeste. Serias alto demais para o esconde-esconde.
Mas tudo fiz e tudo pudeste, porque andas por aí à solta sobre disfarce, pois Deus criou apenas Adão, Eva e os anões *

I'm Lost. I'm loosing everything.




Sinto-me mal. Algo dentro de mim ferve e me irrita. Não sei o que é, mas bom não pode ser. Enerva-me sentir-me assim. Quando me olho nada vejo. Vazia, transparente, talvez até mesmo inexistente. Não sei o que me aconteceu. Perdi o brilho, a luz. Perdi o riso, a fala. O coração palpitava. Deixou de dar sinais. Rebenta a cabeça cada vez que tento pensar, seja no que for, seja em quem for. Os olhos já tremem de tanto gastos estarem, de tanto olharem para o mundo e para a vida. De tanto olhar para as pessoas, todas elas uma amostra do que não ser . Perdi tudo, todos estão ausentes, perdi-me a mim. E o pior, é que não estava habituada já a isto. Não pensei sequer que pudesse voltar a acontecer. 


Perdi-me. Ausentei-me. Hei-de morrer, espero rápido, para voltar a renascer em força *

É o que me calhou.

Houve um tempo em que eras um rei no meu mundo. Um rei, que fazia de mim uma princesa pequenina em horas de alegria. Essa era chamou-se ingenuidade, sendo fictícia ao mesmo tempo que me acompanhava a realidade. Hoje, se pudesse, agarrava em ti e em toda essa superioridade doentia, e punha-te a milhas! A quilómetros daqui, a países de distância. Ausentava-te anos luz, sem regresso. Fazia a tenra fineza de te comprar o bilhete se necessário, e ainda fazia um cartão de despedida.Tudo, desde que desaparecesses! Longe de mim e da minha querida mãe, que sempre se privou de tudo para me poder dar o que devia, o que merecia, e ainda luxos que sabia que eu queria. Sempre deixei andar, até me aperceber da situação. Tu que exiges de mim respeito, por ser filha tua. Tu que exiges compreensão quando nem sequer a ouvir os outros te dignas. Tu, que és a maior besta à face de tudo o que Deus criou, que és o único de quem não queria ter ligação de sangue, e sou obrigada a isso. Tu, que te fazes chamar de pai, e no entanto nunca me sustentaste, nunca me apoiaste, nunca sequer me ouviste. Tudo o que fazes é foder-me a vida, directamente e indirectamente quando fodes a da minha mãe! É negares-me um único tostão, por dizeres que já tenho dezoito anos, já me posso sustentar sozinha. Recusas a pagar-me seja o que for, desde roupa às propinas. Dizes que me viram contra ti. Será preciso ? A mim parece-me que fazes tudo tão bem sozinho. Amor por ti não tenho, nenhum! À minha mãe, porém, tenho-lho todo! Desde aqui, dando a volta a toda a galáxia existente. Ela, que sempre me deu tudo o que pode e não, me levou ao médico mesmo andando comigo ao colo durante quilómetros porque tu estavas bêbado demais para conduzir. Ela, que sempre me educou e apoiou, me ensinou a não mentir, a não roubar, a não ser egoísta e safar-me sozinha. Foi ela que fez de mim mulher, e não tu. Não tu que te dizes meu pai. Tu, por mim, nunca nada fizeste. Nem à escola me recolhias quando chovia a potes. Não, eu que viesse a pé para casa. Até os meus tios, são mais pais que tu. Não todos, mas aqueles dois com quem cresci, aqueles dois que sempre me deram tudo o que a minha mãe não podia, tudo o que tu não querias. Aqueles dois que me deram amor e carinho desde que nasci, que me cuidaram como se sua fosse, que me levaram onde fosse necessário só para que fosse feliz. Os tios e a minha Grande Mãe. É a eles que devo respeito, é a eles que tenho amor. Para ti ? Nada mais tenho se não pena.
Tanta boa gente a morrer, e tu ainda cá andas.
A morte bate à porta de tantos, mas deve ter perdido a tua morada.
E acredita que me sinto mal por quase te desejar tanto mal :|

Montes de pedra de merda.

Nunca cheguei ao fim. Falo no geral. Seja o que for, nunca concretizei o que desejava. Ou chego apenas a meio, ou nem sequer lhe dou início. Foi sempre assim, e se alguma vez não o foi, de momento não me ocorre! Construí sonhos, todos amontoados. Talvez por achar que assim teria direito a mais. Mas de nada adiantou. Percebia que eram demasiado pesados, então largava-os no mar e deixava que a água os levasse. Outros, antes mesmo de os começar, largava-os ao sabor do vento, evitando idas e voltas ao mundo do fracasso. Tantos que tive, quase tantos mais os que larguei. Muitos, ainda bateram à porta insistentemente mais tarde, mas por poucos permaneceram dentro. Nunca me dei ao trabalho, por achar que era tarefa minuciosa demais para mim ou até mesmo por não ter certezas. Quando neles me metia de mente e alma, tudo ruía, mesmo em cima do corpo. Os sonhos, os desejos, são castelos em montes de pedra, elas rugem e tu cais. No amor, a merda é a mesma. Sorris no topo, mas na realidade voas sozinhas. Quando o notas, bates com o fucinho no chão.

De ora em diante, sonhos, só mesmo os necessários. Daqueles que não fazem nós na barriga, apertos no coração, nem fazem mal à alma*

A estante.

Pó. Tanto dele que encontro rodeando a estante. Esta por sua vez, está vazia de livros. Não preenche os espaços devidos. Ando à sua volta, tentando perceber de que material é feita: de sonhos destruídos, parece - o que explica o estado degradante. Piso de improviso e sem me aperceber algo com certo relevo, disposto no chão. É um dos livros que devia estar nessa estante, mas não mais há em redor. Sacudo-lhe o mofo que o envolve, leio-lhe o título - "Vida desfeita, a tua" .
Olho para cada prateleira - que muitas são - em cada uma está gravado o meu nome e uma faixa etária. A mais cimeira, diz "Marilena no fim da história".
Vejo que nessa cimeira, há um espaço onde o pó não chegou - foi daí que o livro caiu.
Não há memórias nem escritos de tudo o que fui, de tudo o que fiz, porque no fim, nada importa, nada tem valor, se termino assim , desfeita.