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A distância tem-me assombrado novamente, mas desta vez com outro intuito. Hoje veio para relembrar, para que dê valor aos meus e aos que por mim passaram. Impossível seria esquecer-me de certos. Ainda hoje me lembro de ti. Recordo aquele nós, aquele que sempre me há-de ficar no coração. Lembro-me dos passeios, dos gestos e das palavras. Lembro-me das noites, dos sorrisos quando dizias que me amavas. A juntar a tudo ficou o orgulho, de teres sido meu, de ter sido tua. A alegria de ter partilhado e aprendido contigo, de ter crescido no bem e no mal. Completavas-me de forma insaciável, tanto que nunca esteve nos meus planos largar-te. Mas por vezes mudam-nos o rumo, e remar com vento contrario torna-se insuportável. Mas de ti, e daquele nós, guardei o melhor. As gargalhadas pelas coisas absurdas que muitas vezes dizia, os acontecimentos engraçados que nos envolviam, as lágrimas derramadas por amor e por saudade, o beijo final. Guardo-te cima de tudo a ti, mais que às memórias. Porque elas podem um dia distorcer-se, mas tu continuarás como hoje, comigo !
O que sou hoje, foi devido a ti.

Deus criou Adão, Eva e os anões.

Palavras. Se fosses do tamanho da doçura que nela proferias, não te chegaria a ver os joelhos sequer. Não poderia ter-te olhado tantas vezes nos olhos e sentido todo aquele aquecer do coração. Não podia sentar-me ao teu colo, para ser mais fácil beijar-te, teria antes de me agarrar ao teu nariz, e balançar de cabeça para baixo, para que toda eu chegasse aos teus lábios. Não podia ter-me acomodado no veneno que era a doçura do teu abraço, nem uma só vez. Não te poderias ter escondido de mim, como tantas vezes fizeste. Serias alto demais para o esconde-esconde.
Mas tudo fiz e tudo pudeste, porque andas por aí à solta sobre disfarce, pois Deus criou apenas Adão, Eva e os anões *

Olhar ternurento engata milhões. Oh Yeah! como sou Machão.

Que masoquismo o meu, este de querer que permaneças. Eu sei bem porquê. Falavas, repetias, usavas tudo a teu favor e contagiavas-me com a nostalgia que querias pensasse que vivias. Mas não. Na realidade para ti era tudo tão belo. Não longe estavas de conseguir mais uma presa. Assim que viste uma oportunidade num momento, arrebataste-me, querendo parecer um leão feroz, mas na realidade não passavas de um cão esfomeado. Bem que ladravas para mim, e sendo honesta, não te culpo. O crime foi meu, por ter revelado que adorava um bom focinho de cachorro abandonado. Tu apenas o arremedaste.

PS Esqueci-te :)



As letras já são rotina. Sejam elas mendigas ou pomposas, são constantes. Ouvem-me gritar, chorar e ainda me consolam. São tão amigas. E foram elas que ao longo deste tempo me fizeram aliviar o desgosto, a desilusão que criei para comigo, por não ter antes aprendido a levantar-me sem mostrar a queda. Não soube, e elas foram-me ensinando. Talvez não tarde, porque mais duros trambolhões virão. O que dantes via nelas, hoje parte esmoreceu. Graças às letras, benditas sejam - nelas que um Post Sciptum tornara-se bem mais que isso, ganhara perninhas e mesmo mãos, com as quais segurava na tesoura com que teimava recortar-me o coração- se não resultava picava-o.
Hoje, graças às letras, um Post Scriptum é apenas algo da qual me esqueci *